Vôo 93
A cinco anos, no dia 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos sofreram o maior ataque terrorista de sua história. Dois aviões se espatifaram contra as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e um outro foi derrubado em cima do Pentágono. O Vôo 93 durou cerca de uma hora e meia e caiu em uma planície, matando todos os tripulantes. Suspeita-se hoje que ele se dirigia para a Casa Branca.O filme conta essa história em tempo real, e mostra da hora em que tudo começou ao momento em que os passageiros, decididos a sacrificar suas vidas, conseguiram que o avião caísse antes de chegar ao seu destino. Embora o pânico e o medo estejam no rosto de todos, alguns mais corajosos tentaram até o fim confortar todo o grupo.
O diretor Paul Greengrass (A Supremacia Bourne), assinou também o roteiro. Os atores são todos desconhecidos e foram divididos em dois grupos. Os que interpretaram os terroristas foram mantidos em hotéis separados e fizeram todas as refeições também distantes daqueles que atuaram como os demais passageiros, para que o clima de tensão e desconforto fosse capturado pelas câmeras.
Censura: 14 anos Diretor: Paul Greengrass Elenco: Khalid Abdalla, Opal Alladin, Lewis Alsamari Nome Original: United 93 Ano: 2006 País: EUA/ING Duração: 90 minutos Site: Oficial
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2 Comments:
Oi, gostei muito do blog. Achei muito bom esse filme, talvez o melhor do ano até agora.
Em Vôo United 93, vemos o impacto do 11/9 refletido em dois grupos de pessoas: os controladores de tráfego aéreo e os passageiros a bordo do avião referido no título. São duas linhas narrativas, constantemente intercaladas entre si. Há um set-up, um mote preparado com cuidado pelo roteirista e diretor Paul Greengrass a fim de ampliar a carga dramática concentrada na segunda parte da projeção, mais dramática, que é a exposição do que seria uma rotina normal (pontuada pela apresentação dos personagens, feita de maneira gradual e sutil) antes dos atentados cometidos naquele dia, somente para depois mostrá-la abalada, funcionando como uma espécie de contraste sensibilizador. A tensão onipresente, simulada pela estética documental posta em prática via manejo de câmeras oscilantes e seguradas nos ombros alcança níveis sufocantes, lancinante até, o que não deixa de ser um atestado da competência de Greengrass na ferrenha manipulação de emoções e na acertada recriação "realista" de um clima fatídico - abordagem apropriada a uma história de viagem sem volta, cujo destino inevitável todos sabemos de antemão.
O fator anti-Hollywood permeia o longa de ponta a ponta. Caracteriza-se pela ausência de astros no elenco (ótimo, diga-se de passagem, contando com não-profissionais), a dispensa de trilhas musicais bombásticas, a evitação da pieguice fabricada e a recusa ao uso de recursos artificiais como câmera-lenta. Afinal, convencionou-se tacitamente entre os críticos que produções assim "castas" não são sensacionalistas, tampouco exploradoras, portanto dotadas de maior valor artístico. Enfim, respeitosas. Pois bem, olhando para Vôo United 93 sob uma perspectiva panorâmica, ligada ao profundo significado global e histórico representado pela data em que é situado, ele parece carecer de unidade na abordagem, deixando um vazio relativo terminada a sessão. Pode ser que Greengrass tenha tomado uma decisão consciente de não imprimir significados metafóricos subjacentes ao seu texto (ou talvez eles estejam lá e eu apenas não consegui identificá-los), apesar de existir um tema aparente que serve de apoio à trama, sobre a qual esta se desenvolve: como um grupo de pessoas comuns reage ante a circunstâncias-limite, unindo-se sob o jugo do instinto de sobrevivência.
Greengrass entregou-nos um drama aflitivo, corajoso, poderoso; não raro excessivo e um tanto discutível. Ficou faltando um propósito definido, uma fundamentação mais clara. O resultado é muito bom, restando a ligeira impressão de que carregava um potencial superior enquanto projeto de altas pretensões, cumpridas em parte.
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